O objetivo do verão deve ser evoluir fundamentos determinantes e consolidar uma identidade de jogo. Para isso, é preciso escolher poucas coisas, treinar muito, medir bem e sustentar o processo. É simples.
O basquete atual premia quem arremessa com eficiência. O arremesso impacta tudo:
Nas categorias de base, o desafio é construir uma mecânica de arremesso fluida, harmônica e que consiga se coordenar com outros fundamentos para ser aplicada no jogo real.
Ajustar o arremesso costuma trazer uma sensação estranha, um refinamento fino e uma perda momentânea de referências. Isso aparece quando o corpo deixa automatismos antigos e começa a consolidar um padrão mais eficiente.
Esse desconforto acontece porque o corpo está reorganizando coordenações, conexões nervosas e tempos. Na prática, costuma ser assim:
Se filmar com o celular arremessando é uma das ferramentas mais simples e mais potentes para evoluir, porque te dá algo que, no arremesso “ao vivo”, quase nunca existe: informação objetiva.
Enquanto você arremessa, o corpo se guia por sensações. O problema é que a sensação nem sempre coincide com o que realmente está acontecendo. A câmera fecha essa lacuna.
Quando você se filma, aparecem com clareza detalhes que, no olho nu, passam batido:
Além disso, se filmar ajuda a sustentar a mudança técnica. Na fase de correção, o gesto novo costuma parecer estranho e o antigo “puxa” você de volta. Com vídeo, você confirma se está treinando o que quer treinar, inclusive nos dias em que a bola cai menos.
Com um celular basta. A chave é filmar pouco e bem.
1) Escolha um objetivo por vídeo
Um foco: base, mão guia, liberação, equilíbrio, velocidade de preparação.
2) Faça clipes curtos (10–20 arremessos)
Você não precisa de meia hora de gravação. Com 10–20 já aparecem padrões.
3) Use 2 ângulos básicos
4) Compare “o que você tenta” com “o que você faz”
A pergunta-chave é: meu gesto real se parece com o gesto que estou treinando?
5) Defina um ajuste e repita
Você sai do vídeo com uma única consigna, por exemplo: “hoje, mão guia passiva” ou “cair no mesmo lugar”. Depois, repete.
1) Escolha 2 ou 3 aspectos para melhorar
Evolução real exige foco. Dois ou três objetivos mantêm energia no essencial e permitem consolidar.
Exemplos de objetivos fortes:
2) Escolha 2 ou 3 virtudes para potencializar até virar especialidade
Identidade se constrói quando um ponto forte vira sua marca. O verão é ideal para repetir ações que te representam e automatizá-las.
Virtudes que costumam virar especialidades:
Um jogador valioso costuma ser quem combina boa base de fundamentos com uma ou duas armas claras. Fundamentos sólidos te tornam confiável: você sustenta rendimento, toma melhores decisões e reduz erros evitáveis. Essa confiabilidade vira minutos, porque o treinador sabe o que esperar de você.
Armas claras te tornam especialista. São virtudes que aparecem mesmo quando o jogo fica duro e o ritmo quebra. Quando uma virtude vira arma, entra na sua identidade e vira parte do seu “DNA” como jogador.
Nesse contexto, o arremesso ocupa um lugar especial. Ele soma pontos e potencializa o restante do seu jogo. Com um arremesso confiável, o defensor não pode te dar espaço — e aí fica mais fácil infiltrar, passar, cortar, quebrar a primeira linha e “kick-out” no perímetro. Por isso, o arremesso sempre tem margem de evolução, até para quem já arremessa bem.
Nessa fase, melhorar significa sustentar aproveitamento com mais volume, preparar mais rápido sem quebrar a mecânica, arremessar em movimento e combinar o arremesso com outros fundamentos. O salto acontece quando o arremesso vira confiável em ritmo real, com defesa perto e decisões rápidas.
O verão é ideal para construir essa versão do arremesso com continuidade e repetições de qualidade. O trabalho varia conforme o ponto de partida. Se você ainda está construindo a base técnica, o foco está em:
Se você já tem uma mecânica estável, o foco passa a:
Arremessar bem em exercícios controlados é um passo. O salto acontece quando o arremesso aparece com eficiência em situações reais: recepção em movimento, decisão rápida, cansaço, defesa próxima.
O aproveitamento ajuda, mas o processo se sustenta melhor quando você mede também a qualidade do gesto. Na base, o objetivo é refinar a técnica mais do que o percentual. Claro: no fim, é meter mais bolas. Só que, para chegar nisso, primeiro você precisa garantir que a mecânica está correta. Como saber?
Indicadores úteis:
Registrar poucos dados, toda semana, te dá direção e motivação.
Durante o recesso, uma decisão multiplica a qualidade do trabalho: organizar treinos por grupos com objetivos em comum. Essa lógica permite ajustar tarefas e acelerar evolução sem perder o foco coletivo.
Critérios de agrupamento que funcionam:
O arremesso entra em todos os grupos. Cada jogador treina a partir do seu nível:
Para se organizar, anote:
Um plano simples sustenta a intenção. Escolha poucos objetivos, treine de forma sistemática, registre seu progresso e sustente o processo. Essa combinação aparece depois na temporada: nos seus percentuais, na sua confiança e no seu jeito de jogar.
por Pablo Genga
Quando se fala tanto de regras no minibásquete, fala-se pouco de ensino. Uma reflexão em torno desse olhar.
O treinador Pablo Genga analisa o Constraints-Led Approach (CLA), uma metodologia que propõe problemas ao jogador para que ele os resolva.
Treinar a técnica individual de forma isolada tem pouca utilidade. É diferente ensinar a usar um gesto técnico para resolver um problema de jogo.
Os motivos, as aspirações, o projeto esportivo e o mito dos clubes pequenos. O treinador Juan Lofrano aborda um tema incômodo que impacta no nível institucional.